sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Dor não é solidão


Meus pés conhecem bem esse caminho
Minhas mãos o sabem de cor
Chega como sopro de vida
desestabiliza, e deixa o pó.


Não sei mais o que esperar de mim
Também não sei pq me trato assim
A incerteza desse hábito, corpo e lugar
Me fazem querer nadar contra, inconformar, lutar.


Luta vã, sem sentido
Sou o que sou e sinto o que sinto
Não significa isso que não posso eu mudar quem sou
Tranformar ódio em amor, me aproveitar da dor.


Pode ser que o leitor pense que sou triste
E fique assim, com dó de mim
A tristeza não é passível de dó
Há quem mendigue qualquer sentimento
E se eu tenho a tristeza, não estou só.


Essa inconformidade que trago em minha alma
É resultado de coisas das quais não consigo me lembrar
Pólvora, ácido, vivacidade
Hoje, tudo opaco.


Mas ainda me descubro, e me ACEITO
Ainda aprendo a brincar de ser eu mesma
E quando isso acontecer serei estrela
Luz da meia noite e alvorecer.

Quero queimar

Hoje descobri Bethânia! E essa descoberta foi profunda e emocionante. Sempre ouvi falar que ela é uma das maiores cantoras do Brasil - mas a opinião alheia nunca me é suficiente. Muitas coisas que são tidas como boas no senso comum me desagradam, então enquanto eu não tenho minha opinião fico num breu. Fora que, essa coisa de bom e ruim, legal e chato é muito subjetiva. Bom pra quem e pq? Ruim? A arte é algo que está acima dessas rotulações. Arte existe e pronto, o bom e o ruim são pequenos demais pra algo tão vasto, da ordem do infinito.

 Ao descobrir essa cantora que me tocou de uma forma única com suas músicas e interpretações, descobri um novo modo de lidar com meus demônios. Vendo uma entrevista, sobre seu albúm 'Oasis', fiquei intrigada com um fato; Bethânia escreve todos os dias, e queima o que escreve todos os dias - salvo exceções, como a obra de arte ' Carta de amor' ( minha música preferida na vida).

 Me identifiquei com ela, não pelo fato de queimar mas pelo ato de escrever. Sempre me sinto melhor depois de parir um texto. O texto cresce em mim, como uma semente, vai se desenvolvendo e quando o transfiro para o papel, é como se algo saísse de mim. Mais que um parto, é um exorcismo. Gosto de exorcizar meus sentimentos, mesmo os bons. Assim como as células do meu corpo se renovam, as 'células' da minha alma, ou seja: as unidades funcionais - que são os sentimentos - precisam de constante renovação.


 Minha maior inimiga sempre foi eu mesma, e essa brincadeira de tentar me controlar, mesmo que pouco, mesmo que infimamente, me traz paz. O processo da escrita é meu filtro, meu estabilizador. Se desligo, volto sem grandes danos. Eu preciso de mim, e tenho me faltado muito. Há tempos estava me sentindo como uma porção de água suja, necessitava de filtro, e ainda necessito.


 Ah, e há quem diga que a arte é coisa para os 'sensíveis', 'maricas'. Se for assim todos temos conotações negativas, pois viver é uma arte.