Durante um certo período da minha vida fui adepta da Doutrina Espírita. Me sentia muito inquietada, inquietude essa causa por acontecimentos dolorosos. No espiritismo, de início, encontrei alento e explicações.
Infelizmente, por motivos que não quero mencionar aqui, fiquei bem descrente de tudo o que vi e aprendi. A vida tem esses acontecimentos estranhos que, como se fosse vento, arrasta minha mente de papel de um lado ao outro em questão de segundos.
A solidão que sinto por não ter uma crença é forte. Acreditar em algo, pelo menos pra mim, dá força e motivação. Fiquei sem chão, sem meu norte. Às vezes me sinto alheia ao mundo e a mim mesma.
Acredito que exista um Deus, um ser supremo que diferentemente do ser humano, prega somente o amor. Acredito que existe um plano para todos nós, e que há situações na vida - boas e ruins - que são inevitáveis.
Porém não concordo com o jeito que as coisas funcionam e ainda acho que o livre arbítrio é uma furada. Um poder muito grande dado a um ser muito falho. Mas como não sou Deus, creio que minha divergência de opinião com o plano Dele é de toda ineficaz.
Não há uma caixa de correio, não há papel e caneta que cheguem até Ele. Tenho minhas reivindicações, mas as faço ao vento. Não, não concordo com o jeito que o mundo é, e por vezes já desejei tão avidamente não fazer mais parte disso.
Não existir é algo reconfortante, mas eu existo e não existir seria aniquilar-me e quando penso por este ponto de vista o reconfortante passa a ser horrível!
De onde eu vim? Para quê eu vim? Se Deus me criou pq às vezes sinto não ser parte dele e nem de nada? Ser ser humano, Deus, não é nada fácil!