quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Confusão

O mundo em pequenos pedaços, é sempre assim que eu vejo. De um lado a fantasia, e do outro o desapego. Sempre fui muito criativa, imagino histórias em segundos, posso ser rainha, dona da vila, dona do mundo. O problema é que essa minha mente aguçada pro faz de conta não aceita viver o que é real. Acho que me acostumei demais com o meu mundo, esse que eu invento - esse que é mil, retalhado - e agora não consigo mais me encaixar em nenhum outro. É estranho, mas desde sempre foi assim. Nunca consegui me sentir parte de algo, de alguém. Hoje me perguntei se eu passo mais tempo sonhando porque tenho medo. Descobri que tenho medo, só que não de olhar para os outros e sim de olhar pra mim mesma. Tenho medo de mim, não sei me domar. Parece que dentro do meu corpo moram várias pessoas, várias e tão diferentes, cada uma quer uma coisa e eu não sei a quem obedecer, porque essa eu que escreve agora não quer nada, ou quer, mas fica sempre indecisa entre dois quereres e acaba escolhendo o que as outras querem, nunca o que ela quer. Esse ano foi o primeiro ano em que eu tive medo de morrer, eu sei que pode ser normal já que a minha mãe passou por um momento difícil e isso, de alguma forma, deve ter me impressionado.Mas é que quando paro pra pensar melhor não entendo como alguém que não vive pode ter medo de morrer. Eu só existo, viver é outra coisa. Deve ser mais denso, ou não.. Na verdade deve ser mais leve, já que eu - que não vivo - me sinto densa todo tempo. Me sinto como um daqueles malvados de desenho que quando vai preso fica com uma bola de ferro amarada em um dos pés. Me sinto amarrada. Não sei dizer se meu corpo é minha casa ou meu cárcere, tampouco sei dizer se a casa na qual eu moro é meu lar ou meu cárcere. O não saber acaba comigo, eu preciso saber, preciso ter certeza de alguma coisa, pois essa incerteza que tenho de mim criou um vazio muito grande, que engole tudo, que me engoliu, e eu não sei mais como posso chamar esse vazio de vazio, já que eu estou nele. Talvez eu seja vazia também - pois essas coisas, no fundo, a gente nunca sabe.

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