Você ia por ali
E eu vinha por aqui
Um descompasso premeditado
Você não queria mais sermão
Eu não quis mais ter coração
Fomos fruto do acaso
Sentada naquele bar
O que eu esperava achar
Era um copo e solidão
Ia lá sempre as onze
Hora em que o sol e o amor se escondem
Pra perder o coração
Mas por um motivo oculto
Fui te achar sentado ao lado
De uma calça, cigarro em mãos
Você dizia exaltado
Que preferia ser esamagado
A entregar seu coração
E eu fiquei intrigada
Pois a tempos uma confusão não chamava tanto a minha atenção
Já não sei se foi a fumaça, os berros ou a causa da discussão
Que me fizeram ficar estática
Esquecer da minha cachaça
Embaçar minha visão
Quando percebi a mesa estava vazia
Não havia mais você, não havia mais briga
Só o cupom fiscal
Levantei desorientada
Peguei o metrô e fui pra casa
O que aconteceu então?
É que enquanto você discutia
Na mesa do bar, sem cerimônia
Eu lembrei de uma canção
Que um dia alguém cantou pra mim
E que dizia assim ' me entregue seu coração'
Depois que a música parou
Eu não soube o que dizer
E o cantor me deixou
Desde aquele dia
Tudo o que esse cantor fazia
Era cantar sobre 'desilusão'
E mesmo longe dele
Eu ouvia toda melodia
Que misturada com agonia
Virava uma bela canção
Eu não respondi antes
Pois quando tive a chance
Tive medo e me escondi
E acho que esse medo
Destrancou minha alma
E trancou seu coração
Pois agora o cantor
Que em uma canção pediu meu coração
Prefere ser esmagado a enfrentar de novo uma grande paixão.
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