"Eu não escrevo pra ninguém e nem pra fazer música, e nem pra preencher o branco dessa página linda. Eu me entendo escrevendo, e vejo tudo sem vaidade, só tem eu e esse branco, ele me mostra o que eu não sei. E me faz ver o que não tem palavras, por mais que eu tente são só palavras, por mais que eu me mate são só palavras''
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Nasci
É estranho quando você não consegue se sentir. Estranho e assustador, o corpo está aqui, mesmo maltratado está aqui, mas alma parece não mais existir. Ou talvez exista mas durma num sono profundo, e sem fim. É estranho como desde sempre nunca consegui me sentir, acho que por medo quis abafar minha alma, quis evitar me descobrir. Tenho medo, mas estou no limite. Ou vai ou racha. Até quando vou 'viver' nesse sono profundo? Decidi que não vou mais, decidi que quero viver, e fico só imaginando com deve ser pleno e bonito viver. Mesmo com todos os percalços que as pessoas vivem se deparando, deve ser lindo e deve ser libertador. Quando me diziam que o maior presente que a gente recebe é a vida, isso sempre me assustou. Não conseguia entender como o maior presente que a gente recebe é uma obrigação.... Obrigações não são boas, nunca foram. Só hoje me dei conta que esse presente nós damos a nós mesmo. E há pessoas que não vivem, e eu acabei de nascer. Acabei de nascer hoje! E tudo me parece tão estranho e diferente. Diferente daquele mundo que eu via através dos olhos de outras pessoas.
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